Meio Sol Amarelo

Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
São Paulo, 2017
Número de páginas: 504
Tradução: Beth Vieira


Três olhares em um romance
Por Maria Eduarda Gomes



Este livro da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie fala sobre a guerra sem perder o encanto do romance. O texto é escrito a partir de três olhares diferentes: o de Ugwu garoto que chegou à casa de Odenigbo aos treze anos e viu a história se desenrolar, tanto a história da guerra separatista, quanto o romance vivido por Odenigo e Olanna Richard. Este de certa forma se entrega para os dogmas políticos que seu pai impõe, fazendo o possível para se relacionar com políticos influentes e os agradar e Olanna, a amante de Odenigbo, a outra irmã que se “rebelou” contra as imposições do pai e acaba se mudando para a casa de Odenigbo para lecionar em uma faculdade?

O livro consegue transpor toda a miséria da guerra, e falar sobre a negritude, especialmente quando a autora descreve o amante de Kainene como um homem branco, encantado pela cultura do país, que tenta se encaixar na sociedade nigeriana, e ao longo da história escreve seu próprio livro sobre a Nigéria.

A negritude também surge na descrição de Odenigbo, um professor negro que luta pela igualdade e pela educação, mesmo que por vezes ele seja apresentado como extremista o personagem dá vida a uma luta que foi travada dentro da guerra pela valorização da cultura nigeriana que por muitas vezes foi compactada.

Chimamanda trata do feminismo quando descreve a irmã Kainene que mesmo sendo submissa às vontades do pai demonstra uma força invejável ao lidar com as relações públicas de sua família, fechando negócios valiosos. A forma como lida com o desenrolar da guerra demonstra ser uma mulher inspiradora.

Olanna mesmo estando apaixonada por Odenigo, não deixa para trás seus sonhos, e se torna uma professora universitária, sem deixar de lado também sua vontade de ser mãe. Tem uma filha com Odenigo, Baby, personagem que traz leveza para a narrativa. Olana é uma personagem interessante do começo ao fim, sempre surpreendendo com seus comentários revolucionários para a época.

O livro é muito completo e oferece motivos para reflexão sobre vários assuntos, uma leitura interessante para o leitor jovem ou mais experiente. Do ponto de vista da formação de leitores é muito importante que alunos tenham acesso a essa história que fala sobre questões polêmicas, e que ainda consegue descrever uma das guerras que mais causou impacto sobre a sociedade nigeriana, e que é pouquíssimo descrita em livros de história.

A autora Chimamanda Ngozi Adichie escreveu livros como “Hibisco roxo” e “No seu pescoço”. Recebeu maior visibilidade com “Sejamos todos feministas” em que ela conta sobre sua experiência como mulher  negra e em todas elas Chimamanda tem uma maestria ao escrever que encanta ao mesmo tempo em que informa, esse é a sua maior força. 

 

Maria Eduarda Gomes tem 17 anos. Nasceu em Taiobeiras, Minas Gerais. Hoje vive na Bahia e é apreciadora da literatura em todas as suas formas e modos.


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