Janaina Tokitaka


Quem é a Janaina Tokitaka?
Aquela criança esquisita do quarto ano C que cresceu, mas continuou desenhando gato compulsivamente e com ansiedade social.

Você se lembra de você mesma desenhando na infância? Como e onde? Que sensação você guarda desses momentos?
Sim, era meu momento de extrema felicidade. Lembro de ficar comparando com “desenhos de adulto” pra saber se estava bom e da frustração de quando o grafite quebrava e eu ficava apontando e quebrando a ponta em um loop infinito.

Qual foi o primeiro livro que ilustrou?
Foi “A Vida é um Palco”, da Helô Prieto. Outro dia olhei esses originais e ainda gosto deles. Acho que as ilustrações mais sujas e rabiscadas envelhecem melhor.

As imagens que a Janaina Tokitaka cria vêm dos sonhos, do pensamento, da memória ou da observação?
Quanto mais diretamente da mão, melhor. Acho que elas vêm da vontade de algo que ainda não está aqui e que eu quero que esteja.

Algum projeto que gostaria de realizar e não teve ainda a chance ou o tempo?
Um monte, ainda bem. No momento, uma HQ Sci Fi de 200 páginas que está andando devagar, mas que um dia sai.

Por falar em tempo, como é o tempo do desenhar, ilustrar, imaginar imagens?
Infelizmente, é o tempo entre mandar uma escaleta para o canal ( sou roteirista ) e a Rosa chegar da escola (também sou mãe de uma criança de três anos), tento expandir essas horinhas com muito café e concentração.

A música tem influência sobre o seu modo de desenhar?
Sim. Quando ando muito pilhada, boto umas Variações Goldberg pra dar uma acalmada nos ânimos. Gosto de rafear (rascunho) em silêncio e finalizar ouvindo alguma coisa.

Existem ilustrações que deram errado? Como são?
A resposta bonita é: são aquelas que não somam nada ao texto e não fazem falta no livro como um todo. A feia é: aquela em que o personagem ficou torto de um jeito não charmoso, ou que o gato derrubou tinta em cima. As duas são verdadeiras.

André Breton dizia que as palavras "fazem amor", o que podemos dizer das imagens com as palavras? São amigas? Namoram? Brigam muito?
São amigas e rivais, como em uma novela das sete. É um relacionamento complicado.

Existem textos impossíveis de se ilustrar?
Existem os textos que não precisam de ilustração, e daí cabe ao autor e editor perceber quando é o caso.

Sobre maneiras de desenhar: faz os desenhos todos de de maneira tradicional ou usa alguma ferramenta digital?
Gosto de desenhar usando suporte tradicional, mas tem todo um processo de tratamento digital para aquela folha de papel se traduza da melhor forma possível na hora de imprimir o livro. Não acho que o ilustrador necessariamente precise saber fazer ambos, mas acho que ajuda. É mais direto.

Poderia citar algumas e alguns ilustradores contemporâneos que admira?
Adoro a Jillian Tamaki, Carson Ellis e a Lisa Hanawalt. Das brasileiras, Mika Takahashi, Talita Nozomi, Silvana Rando, Raquel Matsushita, Marilda Castanha, May Shuravel e Guilherme Petreca.

Existe uma diferença crucial entre ilustrar para adultos e para crianças?
Eu desenho sempre pra eu mesma. Se isso é desenhar para adulto ou para criança, acho que depende do dia, haha.

Vivemos um momento político fortemente conservador e que incentiva atos de censura no campo da literatura e das artes, qual o desafio para os ilustradores brasileiros neste momento?
Continuar. De verdade, acho que é isso. Por favor, vamos todos continuar, nem que seja pela teimosia. Eu prometo que não largo o lápis.  


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