Un elefante ocupa mucho espacio

Autora: Elsa Bornemann
Ilustrador: Ayax Barnes
Editora: Librerias Fausto
Buenos Aires, 1975


 O QUE A DITADURA FEZ COM UM ELEFANTE 

 Por Marga Olivera

 

Não sei vocês, mas eu gosto muito de elefantes, animais majestosos, enormes, teimosos e, sobretudo, muito inteligentes.

O que vocês achariam se um dia um elefante, gigante como ele é, tivesse uma ideia também gigantesca? O que pensariam se um dia um elefante, principal atração do circo, convidasse todos os seus colegas animais para iniciar uma greve geral?

Assim começa a história de Victor, o elefante do circo que, cansado de ser exposto a provas absurdas, convenceu o resto dos seus amigos animais a lutar juntos por sua liberdade. De início todos ficaram receosos, não acreditavam que pudesse dar certo… porém, após libertá-los das suas jaulas, Victor convence um por um da força que tinham quando se juntavam. Assim foi que decidiram prender o dono do circo com seus assistentes e ameaçá-los a abrir o primeiro circo para animais onde eles – os homens – seriam o principal entretenimento para a bicharada. O dono do circo, após sentir na própria pele a humilhação e a exploração perpetrada sobre aqueles animais, suplica por liberdade e decide não só deixá-los livres, mas também alugar aviões para levá-los de volta para o continente africano. E teve de alugar dois aviões, um para os animais e outro para o Victor, porque como vocês sabem, um elefante ocupa muito espaço.

Esse é o final do conto do elefante Victor, mas é só o início da história do elefante que ocupava muito espaço. Parece que foi tanto o espaço que esse elefante ocupou que os censores da última ditadura cívico-militar na Argentina não duvidaram em proibir a sua difusão. Em 1977, dois anos depois da sua publicação, o livro infantil foi proibido e as cópias que circulavam foram sequestradas e desaparecidas, como tantos argentinos. Evidentemente uma bicharada que luta pelos seus direitos trabalhistas e contra a escravidão é uma grande ameaça para os cidadãos de bem. Foi assim que essa história tão simples se transformou em símbolo da resistência na Argentina. A feroz ditadura passou e com o retorno à democracia o Victor recuperou a sua liberdade e a sua fama. E a partir daí, a cada 24 de março, aniversário do golpe de Estado na Argentina, somos muitos os que lembramos de Victor, para que esses trágicos dias não voltem... NUNCA MAIS.

 

MARGARITA (Marga) OLIVERA nasceu em Buenos Aires em 1978. Durante o ensino médio na escola Carlos Pellegrini, e a graduação, na Universidade de Buenos Aires, participou ativamente da vida política estudantil. Em 2015 se instalou no Rio de Janeiro, é professora de desenvolvimento econômico no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


TORVELIM | Todos os direitos reservados © 2019 | contato@torvelim.com.br